Sistema prisional: pesquisa nos EUA revela que a maioria dos 2,5 mil jovens encarcerados sem possibilidade de liberdade condicional teve passado difícil.
O estudo The Lives Of Juvenille Lifers (“As vidas dos jovens que cumprem prisão perpétua”), feita pelo The Sentencing Project e publicada pela revista In These Times, é a primeira pesquisa nacional sobre o tema. Após ouvir cerca de 1,6 mil condenados por crimes cometidos antes dos 18 anos, a pesquisa chegou a algumas conclusões:
Sobre o perfil dos sentenciados, a realidade prisional juvenil segue à risca as estatísticas do sistema carcerário como um todo: 60% dos entrevistados são negros e apenas 25% são brancos. E pior, os números indicam que quanto mais escura é a pele do réu, mais dura é a sentença. Se o acusado é negro, é mais alta a probabilidade de ser condenado à morte pelo júri — se a vítima for branca, então, a chance aumenta mais quatro vezes.
A Suprema Corte dos EUA
Para embasar a decisão, os magistrados citaram estudos médicos para mostar que o cérebro de um adulto não é igual ao de um adolescente, que continua a se desenvolver até os 25 anos de idade. De acordo com a Suprema Corte dos EUA, a punição é uma estratégia ineficaz para combater a criminalidade juvenil, pois muitos são incapazes de prever e distinguir as potenciais consequências das suas decisões.
Os argumentos de Ashley Nellis, autor do estudo, vão na mesma linha. Assim como o desenvolvimento mental e neurológico é diferente entre adolescentes e adultos, a punição não pode ser a mesma. “Eles merecem um sistema de Justiça diferente”.
Redução da maioridade penal
No Brasil, o debate sobre a idade penal costuma reacender após casos de repercussão nacional. O assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, há alguns dias, colocou na pauta a discussão. Deppman foi morto com um tiro após uma tentativa de assalto; o autor do disparo, que assumiu o crime e se entregou à polícia, tem 17 anos e está a apenas alguns dias de atingir a maioridade.
Há diversos projetos que reduzem a idade penal em tramitação no Congresso Nacional. A maioria das PECs — instrumento capaz de modificar a Constituição Federal — estabelece em 16 anos o limite. Em recente declaração, o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que encaminhará um projeto de lei para tornar mais rígido o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) para os adolescentes envolvidos em casos de violência grave e reincindente. O Ministério da Justiça já se posicionou contra a medida.